Amores Meus, Vida Minha


A vida longínqua, real

Havia os risos das meninas. Era só o que me pareceria real pouco depois daquele instante. A chuva em gotas finas não passava, o tempo estático, aquela mudez em tudo. O dia branco acinzentado. Não estava triste, exatamente. Estava distante de mim. Ausente, quase neutra. Uma nesga por onde escapava uma espécie de líquido imaginário, incolor. Realidade partida é a minha vida, para sempre sem sentido, nem começo nem fim, nem explicação possível. Em linhas retas e pontilhadas, cada parte se move em passo combinado, com cuidado. Trincar é fácil.

Eu vejo os aros coloridos, as luzes da noite brilhando, a escuridão negada, meus olhos acostumados, e isso que chamam vida, esse lancinante silêncio.

Dorme este lado do planeta. Dorme a vizinha e seu gato atiçado, dorme a criança o único sono verdadeiro: abandonado. Dorme a árvore grande do jardim e toda a enorme vida que nela habita. Eu nunca mais dormi. É como um século de olhos abertos.  Um cansaço já esquecido, incorporado, dobrado em mim. Não há mais nada a dizer, nada, nada, até a última gota sempre inexplicada. E depois tudo de novo. Isso não tem fim.

Mantenho-me em salto elétrico, conduz-me esse fio invisível. E quase imperceptível, só os risos das meninas, as meninas longínquas, reais.

 




Escrito por Ghys às 14h45
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Dá-me um sinal

 

Senhor dá-me esperanças...

Avança a galera que me levará.

Dá-me um sinal da tua vinda breve

E alimenta-me da tua lembrança.

Já não sei mais onde dirijo o olhar.

Já chega o barco, ele me arrastará...

Aguardo aqui, neste porto, sozinha,

Por teu amor, meu coração ferve.

 

Uma réstia, uma fresta qualquer

Uma seta que me guie o rumo

Senhor, murcha meu peito

Em ausência e silêncio,

E permaneço sozinha no escuro.

 

 

 



Escrito por Ghys às 14h32
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Pensamos

 

É que as horas passam e nelas vamos, sem nos dar conta de que também passamos...

ou pelo menos isso que pensamos ser... esse estar no mundo, esse mundo...

De vez em quando a vida me parece real, o som do riso de Cecília,

isso me parece real... é raro...

 

 




Escrito por Ghys às 19h53
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Duas pétalas brancas

 

 

Duas pétalas brancas voaram para mim

Duas pétalas brancas dançaram ao meu redor

Lançaram-se sobre mim

Invadiram-me, as pétalas brancas,

Com fulgurante leveza.

E eu, sorri.

 

 

 




Escrito por Ghys às 09h34
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Amigas

Saudade que me deu de amigas....

Estão distantes, queridas, amigas de fé,

Cúmplices no olhar, Irmãs do coração.

Saudades da liberdade de só ficar perto,

Do silêncio de amigas. Saudades da paz 

Que traz a confiança, a plena e total confiança...

Sempre digo que no mundo

deve haver três ou quatro pessoas

em quem se pode confiar inteiramente.

No meu caso, acreditava serem mais.

Eram as três ou quatro mesmo...

Amigas, irmãs onde coração não rima com traição.

Irmãs, amigas que dão as mãos,

que olham nos olhos,

que oram por mim e eu oro por elas.

Eu vejo seus rostos em minhas lembranças,

penso no que estão vivendo hoje, minhas amigas...

ah como queria o forte abraço,

o carinho gratuito, e por isso verdadeiro...

Saudades, amigas... saudades...



 



Escrito por Ghys às 21h00
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Voltando

Voltando.

Em dias de procissão, cheiro de tucupi,

é Círio em Belém.

Devoção, esperança e pureza.

Na berlinda de Nossa Senhora

transbordam meus olhos e os de milhares.

Acenam as mãos e os corações,

a trilhar os insondáveis caminhos da fé.

Rogai por nós, Mãe de todos,

Rogai...

 


 

 



Escrito por Ghys às 16h38
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Libertação

 

 

 

 

Apenas Ser. Agora. É só.

Nada há, além disso.

Nada antes, nem depois.

Nada que é tudo.

Libertação. Retorno ao Ser.

Vida.

 



Escrito por Ghys às 14h03
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A Chuva

 

 

 

A chuva com sua força,

Leva-me, água abençoada, para dentro de mim...

E tudo fica mais leve, sereno, e esse ar molhado...

E essa faixa incandescente de luz invade o céu cinza...

E tudo é a vida...

 



Escrito por Ghys às 13h25
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Dentro de mim.

 

 

 

Oh Deus do meu interior,

Oh Vida infinita dentro de mim.

Oh Deus onde habito,

Oh Fé infinita dentro de mim.

 

 

 

 



Escrito por Ghys às 00h12
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Para mim.

 

 

 

Apenas a margarida amarela, as mãos dele

Estendidas para mim,

Seu olhar que se alonga para o meu,

E meus olhos de lago,

Calmos e úmidos,

Quase tristes, não fosse

A margarida amarela,

Que me aquece

Onde nasce este frio,

Dentro.

 

 

 

 



Escrito por Ghys às 09h41
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De encomenda.

 

 

 

Palavras, por enquanto, só assim,

De encomenda ao coração.

Pular, brotar, espocar... não, não...

Dormem, eu acho.

É que não há nada a dizer,

Ou talvez muito tenha sido dito,

Ou ainda o que era pra ser dito, ficou recolhido,

E foi transformado.

Ai, confusão! Deixo quietas

As palavras, por enquanto,

Nas gavetas, organizadas,

Com ordem de saída

E de entrada.

 

 



Escrito por Ghys às 02h22
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Será que alguém?

 

 

 

"Era uma vez, vejam vocês, um passarinho feio,

Que não sabia o que era, nem de onde veio..."

- Mãe, me conta a Lenda do Pégaso? Pediu-me Ceci.

- Mãe,

Será que alguém,

Nesse mundo,

Sabe mesmo,

O que é,

E de onde vem?

Perguntou-me Ceci.

 

 



Escrito por Ghys às 02h01
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Sono

 

 

 

Senhor, era pelo meio da tarde.

O sol, quente, trazia o sono.

Dormia toda a vila.

Mas, para mim, senhor,

O sono é uma longínqua lembrança

De quando ainda não lhe conhecia.

 

 

 



Escrito por Ghys às 01h31
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Oferendas

 

 

 

Feijão fradinho, mel,

Dendê, algodão e milho.

Terrinas brancas, delicadas.

Orações, mantras, oferendas.

E de repente os presentes.

Abrigos, nos braços amorosos

de Oxalá, Oxum e Iansã.

Ai, que alegria! Que alegria!

E tudo ficou tão lindo!

 

 



Escrito por Ghys às 01h14
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Mar de sal.

 

 

Mar de sal, limpa, lava... Espuma branca na areia, intervalo de maré, que traz e leva fé.

Força das águas. Movimento em tudo. Mudança no horizonte.

Harmonia, beleza, gratidão, alegria.

 

 



Escrito por Ghys às 23h38
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As mãos da rendeira.

 

 

As mãos da rendeira

Bailando e tecendo os fios, a vida

A sua, a da família, a da vila.

As mãos da rendeira

Trançando os sonhos da aldeia.

Delicadezas, cores, risos, fios, histórias

Que dançam no bilro

Nos dedos leves e livres das mãos da rendeira.

 

 



Escrito por Ghys às 23h32
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A Presença.

 

 

 

A Presença.

Contemplo. Nada acontece.

Silêncio. A Pura Presença.

Que sou eu? Não sei.

Silêncio. Alegria.

 

 

 



Escrito por Ghys às 23h05
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Amor, senhora, amor...

 

 

Senhora,

Não sei como dizer,

Tremo, confuso...

Sinto algo...

É Amor, Senhora.

Amor.

 

 



Escrito por Ghys às 22h57
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Colméia

 

  

 Reaprendi a alegria onde a alegria salta, pula, canta, sorri, na alegria de Cecília que a encontrou com intensidade sem igual no lugar de pessoas e sorrisos doces, de gente de verdade, de carne e osso e alma, que aceita o desafio, o grande desafio de viver integralmente. Integridade: outra marca deste lugar onde educar é verdadeiramente amar; onde ensinar é mergulhar de mãos dadas nas aventuras do descobrimento e da construção do novo... De repente vi que Cecília senta e lê por vontade, com prazer... Tantos outros adjetivos cabem perfeitamente para montar o quebra-cabeça que compõe este lugar... além da alegria e da integridade, a beleza, a simplicidade, a dedicação, a competência, a solidariedade, a amorosidade... Eu apenas sinto saudade, uma imensa saudade deste tão pouco tempo... e gratidão, uma profunda gratidão por ter podido realizar o sonho de que minha filha pudesse estudar no Colméia.

Agradecemos com o coração pleno de carinho... agradecemos e desejamos que este lugar de valores belos seja cada vez maior no espaço físico, sem dúvida, mas sobretudo nos corações e mentes, nas vidas das crianças, jovens e mães e pais, das educadoras e educadores, de todos e todas que vivem e constroem um mundo melhor, mais justo, mais saudável e mais belo, que é como se aprende a SER aqui no Colméia... ahhh o Colméia sempre será parte dela, parte de nós, onde quer que estejamos, é o que nos alegra...



Escrito por Ghys às 14h57
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Alívio

 

 

Não é tristeza o que me habita, é alívio, sensação de que acabou, finalmente, e um novo caminho se descortina, límpido à minha frente. O passado secou, levou suas amarras, seus falsos suspiros, seus gritos rangentes, sua presença de mofo... As pesadas correntes trincaram, partiram no chão, sumiram rarefeitas, diluíram seus odores de ferrugem... O que me habita é a alegria, a alegria da liberdade, da solidão, do esquecimento, do silêncio em que, finalmente, me encontro.

 

 

 



Escrito por Ghys às 15h22
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O silêncio dentro de mim...

 

 

 

 

Eu quero o silêncio, o carinho,

O amado silêncio, a redenção.

Passam os saltos, os ternos,

Os olhos que buscam.

E eu quero apenas,

Apenas o silêncio,

O profundo silêncio,

Dentro de mim.

 

 



Escrito por Ghys às 22h00
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Ardo

 

 

Senhor, meu querido,

Meu muito esperado,

O abraço ofertado

E o ramo de rosas,

Com o bilhete, apaixonado,

Partiram em meu rosto

Um caminho de águas,

Abriram em meu peito

Um mar agitado

Brotaram em meus olhos

O amor encantado.

Senhor, meu amado,

Meu muito esperado,

Vem logo, não tarda,

Ardo.

 

 

 

 



Escrito por Ghys às 21h23
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Gota pequenina

 

 

 

Quero sair pela porta de trás.

Deixar a rua com os passantes

Em movimento.

 Sair levada pelo vento.

 Pousar na gota que brilha ao sol

Sobre a folha da mangueira

E que, tão pequenina,

Refulge a floresta inteira.

 

 

 



Escrito por Ghys às 21h14
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O Silêncio

 

 

 

O que em mim se move
em direção ao infinito
brota do fundo

E todo o resto flutua
É o que me salva
da falsa forma
do que não é
embora grite.

Faço
silêncio.

 

 

 



Escrito por Ghys às 18h13
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Calma

 

 

 

Calma, calma.

Silencia, calma.

Respira fundo,

Sorri.

Tudo passa.

Tudo passa.

Agora

Acalma.

 

 



Escrito por Ghys às 12h11
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A Tristeza

 

 

Ai meu Deus, que tristeza!

Que parece que me arrancaram

Das pétalas de onde voava.

 

 



Escrito por Ghys às 18h53
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A Faca

 

Tenho uma faca atravessada

entre a nuca e o coração.

Sangra. Bom sinal. Estou viva.

Sinto uns talhos úmidos cortando-me a cara.

Um cansaço me funda as olheiras.

Perdi aquele certo brilho.

Sou nada hoje. Sou ninguém.

Respiro.

Quero sair daqui, esquecer tudo

e ir para o colo de Cecília,

que me afaga o rosto e me traz de volta à vida.

Ao meu lado há muitas falas.  Tudo é confuso.

Tudo é perdido. Eu quero saltar de algum lugar

e cair no centro de mim. Quero ouvir voz nenhuma,

me desfazer no silêncio.

Não há mais pontes que cubram a ausência,

a distância que o tempo cavou.

Não há mais olhos que me perscrutem,

gelo no coração, de um frio que até me conforta.

Nada disso me incomoda. Nada. Só queria minha solidão.

Meu silêncio completo.

Afundar

na única coisa que sei:

que sou.

 

 



Escrito por Ghys às 18h41
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Devia ter ficado...

 
 
 
 
Arrumei as malas, 
Botei cara de viagem,
Refiz o trajeto,
Algo me empurra.
As malas na varanda...
Quem sabe ainda fique...

 

 




Escrito por Ghys às 14h24
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Nublar

 

 

Hoje aqui

amanheceu nublado,

sereno, frio, silêncio.

Apenas

o canto dos pássaros

e os risos de Cecília

encantam

a manhã

singela.

A bela

manhã...

Céu branco de nuvens paradas.

A sensação longínqua do azul por detrás...

 

(Nublado, nublar... E só agora percebi a beleza desta palavra...)

 

Vontade de sair sem rumo,

por aí,

andar a esmo,

sentar em qualquer lugar

e esquecer o tempo, passando...

O tempo nem passa quando amanhece assim...

O tempo para, tudo para.

Só o canto dos pássaros e os risos de Cecília

são o movimento da vida...

Até o vento

que faz dançar os galhos das árvores

parece incorporado ao instante eterno,

ao agora, que é o infinito.

 

E aos poucos os raios de sol, poderosamente,

aquecem as nuvens, perfuram caminhos, iluminam...

O vendedor de limões passa gritando... as vizinhas acordam a encomendar o cuzcuz e a tapioca, com manteiga ou coco seco, na casa ao lado... vem o vendedor de pamonhas, de vassouras e o de pães...

O vento se acalma, outros cantos e risos se movimentam e o tempo volta a passar...

 

(mas aquele instante transformado,

Eterno e branco, dura

para sempre,

Dentro de mim...)

 

 

 

 

 



Escrito por Ghys às 09h39
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A via campesina

 

 

O

Campo, sina.

Via.

Via a sina.

Campo, via.

 

Eu sabia

Que a minha vida,

A sina,

 

As flores do mato,

Os risos da menina,

A colheita,

O Espaço.

A saída.

 

Campo aberto, eu via,

Via Campesina.

 

 



Escrito por Ghys às 11h51
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As lavadeiras

 

 

Na cabeça a trouxa,

A bacia de roupa,

A lembrança e a vontade.

 

Na vida a fé,

Os filhos,

O amor e a saudade.

 

No trabalho

Os braços fortes,

O cansaço,

As cantigas

E as mãos sábias

Curandeiras

Das lavadeiras.

 

 



Escrito por Ghys às 11h34
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A Página Virada

 

 

A Volta. A Paz.

O Canto dos Pássaros.

As Manhãs de Silêncio.

As Janelas Abertas.

A Casa Habitada.

As Paredes Vivas.

A Página Virada.

 

 



Escrito por Ghys às 09h30
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No caminho

 

 

 

Serras, morros e cachoeiras... densa terra, a casa marcada, as árvores cortadas, o massacre... Barracos miseráveis cobertos de palha e lona, pobreza, ausência... Capim e não árvores... Gado de corte, devastação, cheiro de morte, cheiro de sangue, morte e fogo... Queimadas que colam na pele uma tristeza milenar... Índios humilhados, náufragos do sistema, nordestinos, sulistas Que buscam, buscam, buscam... Trágico “desenvolvimento” que retira, destrói, isola, Expulsa, mata, desmata, humilha, despreza... Passou setembro e não choveu. No meu jardim plantei belas flores. E no quintal, sobreviveu a imponente mangueira, A terna goiabeira e a valente laranjeira que teima em renascer. Há pessoas queridas, novos amigos, há sempre os poetas e os músicos, Ilhas de afeto... Em mim, gratidão, fé e força.

 

 



Escrito por Ghys às 22h00
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Cidaderio

 

Nasce do rio a minha cidade. Brota.

Indefinido limite com o rio. Respiramos água.

Chuvas que inundam. Marés que sobem.

Ruas de rio prolongadas para dentro da minha cidade.

Mundo de água.

 

 

 



Escrito por Ghys às 11h31
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Quando minh'alma conheceu a vossa

 

 

Hoje, amado senhor,

Abri a janela dos fundos

E senti o cheiro das azaléias

Que estavam no conto

Daquele dia

Quando minh’alma

Conheceu a vossa.

 

 



Escrito por Ghys às 00h17
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Saudade

 

 

 

Hoje senti saudade, coisa que aboli não por querer, mas como caminho de continuar... saudade me mataria se tivesse aqui, comeria meu coração, secava meus olhos se ainda morasse dentro de mim... mas hoje saudade me visitou... sorrateira, olhos astutos, chegou sem avisar, botou cadeira na varanda, sentou e desatou a lembrar o que ficou velho, amarelado pelo tempo... daí saiu em palavras... e aquietou... foi só um aceno e um sorriso...

 

 



Escrito por Ghys às 00h06
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O Superhipermegatotalultraautomático

 

 

- filha, mamãe tá tão cansada...

já tô funcionando no automático...

- ahhhh mãe, tadinha...

é que vocês, gente grande, tem um automaticozinho 

tão pobrezinho, sem graça, fraquinho. 

É um automaticozinho que logo desliga... 

Olha mamãe, o meu é assim: quando eu tô um pouco cansada

eu ligo logo o meu super automático, 

mas tenho o super hipero super hiper mega 

o super hiper mega total automático...

e quando preciso ainda tenho o

super hiper mega total ultra automático...

Que tal?

 

 



Escrito por Ghys às 23h31
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Asinhas

 

 

Mãe eu conheci uma passarinha especial...

ela tinha uma só asinha e a outra era de pano,

bem fininha, da finura do teu cabelo...

ela sente como se fosse uma asa normal...

assim mesmo que eu vou nascer na próxima vida...

Eu só quero ser humana

se eu tiver asinhas pra poder voar,

senão quero ser passarinha...

 

 

 



Escrito por Ghys às 23h18
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Antes

 

 

Hoje vou dormir com gosto de cartas no olhar

Saudades de letras escritas de próprio punho

Coisas antigas, perdidas,

Viradas pó

Em algum fundo de armário velho

Cartas que escrevi antes

Confissões de amores

Pecados, medos, lembranças, tremores

Letras de músicas mal copiadas

Palavras trocadas, rabiscos treinados

Jogados ali n’algum papel inocente

Cartas que enviei, rasguei, acolhi, aceitei

Que escrevi antes...

 

 



Escrito por Ghys às 22h16
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O fino fio que escorre

 

 

O que cabe no que lembro

Vem do fino fio do amor

Que ainda escorre dos meus olhos

Quando penso, e ainda penso, e tanto

Como ainda te quero,

E tanto...

Que um dia te digo.

 

 



Escrito por Ghys às 22h58
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Meu reino se prepara

 

 

Minha fantasia de princesa guardo intacta,

Quase perdida no velho armário

Das trancas enferrujadas.

Pra nunca mais eu me encantar.

Mas tem madrugadas

Que a porta destrava,

Feito mágica

E o vestido me habita

E meu reino inteiro

Se prepara.

 

 



Escrito por Ghys às 22h43
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Salto

 

 

Amanhã, vôo de novo.

Salto de novo,

Sem pára-quedas.

O vôo é livre,

E o salto, mortal,

Feito as pétalas...

 



Escrito por Ghys às 22h28
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Fogo e água

 

 

Na estrada a trilha do fogo me segue, de longe, me segue

E a água que inunda meus olhos vira pasta misturada à fumaça...

 

 



Escrito por Ghys às 22h17
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Como um dia, combinado

 

 

Senhor, meu amado,

Cheguei neste porto encantado,

Faz vinte minutos que saltei.

Meu barco se foi, iluminado...

A noite passada,

O esperei.

O porto era aquele

Avarandado...

Faz vinte minutos que cheguei,

Senhor, meu amado,

Como um dia, combinado.

 

 



Escrito por Ghys às 21h59
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Serena

 

 

Sinto que te aproximas...

Assim me dizem as guias,

Me dizem também as giras...

Me mandam recados, os astros,

As cartas confirmam pulsantes...

E, sobretudo,

Aqui dentro algo se movimenta

Uma maré se agita inequívoca

E, mesmo assim, me encontro serena.

 

 



Escrito por Ghys às 21h40
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Vida de Luz

 

 

Luz de estrelas e brilho do sol,

Luz da lua e luz em mim...

Luz nas folhas e nas pétalas,

E nas asas da borboleta este brilho em movimento.

A vida plena de luz em tudo brilha

E também em ti.

 

 

 

 



Escrito por Ghys às 21h30
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Aquele vaso, inquebrável, o espera

 

Senhor, sinto um aroma que me invade

E que se aproxima de vosso perfume,

Ou algo assim

Como a lavanda de rosas,

Que me enviaste ainda ontem.

Sinto saudades, me permita,

Confessar o sentimento preso

Em meu peito que acelera

Quando lembro vosso olhar

E quase escuto vosso riso

É primavera, Senhor,

E aquele vaso, inquebrável,

O espera.

 

 



Escrito por Ghys às 21h22
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Conselhos

 

 

 

Ceci me disse que o Dininho vem sempre que ela chama.

Mas outro dia, ele demorava, demorava, demorava...

“- e eu esperava com calma sabe mamãe...

porque tava pensando que ele tava brincando

com aquele coelhinho desenhado nas nuvens...

 e de repente, mamãe, vi tudo... vi tudinho:

é que o Dininho tava enrolando a mamãe dele...

não queria a sopinha de jerimum com couve...

e ficava brincando de soprar estrelinhas coloridas no ar...

Esse Dininho né mamãe... não tem jeito não... não tem jeito mesmo...

E eu dei até uns conselhos pra ele pra ver se ele se ajeita, sabe mamãe?”

- É, né...

 

 



Escrito por Ghys às 21h12
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Virada

 

 

Vida virada que tudo passou.

Foi na maré das ventanias...

E agora esta janela imensa

Que me traz os cheiros,

As cores e as palavras...

Velas abertas...

Caramba!

Amanheceu o dia

Da promessa!

Vida virou...

 

 

 



Escrito por Ghys às 20h59
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Quem somos está em tudo

 

 

 

Não sei... não sei mesmo assim, ao certo,

Mas algo aqui dentro me diz

Que as antenas solitárias nos telhados,

Captam outros sinais...

Outros sinais para cruzes de aço, alumínio, ferro

Silêncios nas partículas.

Quem somos está em tudo.

 

 



Escrito por Ghys às 05h50
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Feliz é simples

 

 

Teve um dia que começou assim:

O brilho do sol refletia no cinto de aço do poste de luz

Então eu vi que a vida brilha em tudo, sempre e tanto,

E essa alegria explodiu dentro de mim

Que até hoje sou assim

Feliz demais...

Feliz é simples...

 

 

 



Escrito por Ghys às 05h36
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Ser

 

 

Ser o céu e o pássaro que canta

Ser o amanhecer e o orvalho nas folhas

Ser o sonho de há pouco e ser o tempo sem o tempo

Não crer. Ser. Receber que a Vida brota aqui.

Que canto Vida que Sou no silêncio profundo

Onde escuto a muda voz da minha Alma.

E sem pensar, a certeza é tanta...

 

 



Escrito por Ghys às 05h25
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E minha mão se aqueceu

 

 

Na sala de reuniões

A borboleta, com frio

pediu-me abrigo,

por causa do condicionado ar,

e eu, que sentia um outro tipo de frio

que, suspeito, esteja virando um vício,

acolhi no coração a borboleta.

E minha mão se aqueceu...

 

 



Escrito por Ghys às 15h52
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Sem começo nem fim

 

 

Na mesa quadrada

As melhores idéias

São as circulares,

As sem arestas,

Lados ou pontas...

As que se encontram

E vão se tornando

Sem começo, nem fim

...

 

 



Escrito por Ghys às 15h21
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Eu te beijo primeiro

 

 

ela@hotmail.com diz: Comprei um batom novo... vermelho... vermelhíssimo... ele@hotmail.com diz: mmm... e o que está fazendo agora, de bom? sentindo o cheiro da chuva que acabou de cair... sentindo o frescor do banho que acabei de tomar... sentindo uma vontade imensa de te beijar e... e encantando-me com o cair da tarde... putz! frescor de banho é pra judiar...rs... fora a vontade imensa de beijar....  isso é maldade!! rs... é nada... nossa... se  estivesse aqui.... eu hoje cheguei um pouco mais cedo porque vou sair para ver um terreno...  lugar residencial nota 10! sabe o que eu sentia enquanto tomava banho? o corretor vem pra cá daqui a pouco... vontade de mão deslizando... lavando as costas... da nuca até o os pés...  com os dedos... a palma da mão... as mãos brincando... e depois... vou te fazer uma proposta, mas a proposta é real.... daí sabe o que eu fiz??? ô meu anjo, conta logo... não judia, vai...rs... "afora o teu olhar nenhuma lâmina me atrai com seu brilho..." em janeiro... batom vermelho... dedos... travessuras... ventos... mãos na costa... e muita poesia... sabe o que me seduz??? sim,  já me falou... as palavras sussurradas... o olhar... olhar cravado. Sorriso. Lábios. Mão no meio da costa... mão de  pertencimento... faz a proposta... em janeiro... eu te beijo primeiro...

 

 



Escrito por Ghys às 16h02
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Por dentro viver

 

 

Há esta hora que a emoção não salta,

E os segundos duram séculos de lembranças,

Quando é assim, o coração deságua,

E, incontido, toma um rumo de verter...

E os gestos falam de qualquer coisa, lugar ou emoção

É por dentro que se está a viver...

 

 



Escrito por Ghys às 15h11
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Já tudo está, já tudo é

 

 

 

As nuvens imóveis

Ficaram, por minutos,

Banhadas de sol,

Permitindo à beleza,

Ser.

E esse pássaro cantando,

Longamente,

Em meio aos miúdos

Cantos dos demais,

Silencia em mim

Todo o embaralho,

A multidão de sentimentos...

Já tudo está, já tudo é.

 

 

 

 



Escrito por Ghys às 14h42
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Eu te amo

 

 

Eu te amo.

Ainda era menina

adormecida em estrelas,

borboleta, brisa, girassol

e aprendia a flutuar no mar,

de olhos fechados, abandonada,

e sempre tu, o meu amor anunciado,

meu homem marcado, selado nas cartas,

nas conchas, nos tempos.

Eu te amo como quem já está.

Eu te amo com a mais pura entrega

e tenho uma boca que espera nua, a tua...

e um corpo que deseja o teu, saudoso do que será.

Não demora... Ardo...

Te guardo sem saber teu gosto e afago toda a tua sina,

Cavalgo no escuro da noite entre luas, mares, multidões,

Sinto o teu cheiro vindo de não sei onde

Ando para o mundo, viajo

Hoje e sempre sou a tua

e tu és o meu amor...

 

 



Escrito por Ghys às 14h28
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A Buguinha

 

 

Ceci me disse que tem só quatro coisas que sua boneca

mais quer no aniversário: que o peito cresça logo, pra usar sutian,

que as orelhas também cresçam pra usar brincos grandes,

que a perna cresça logo pra usar salto alto,

e que a boca também cresça logo, logo, pro baton...  

- Bem, mamãe, é a Buguinha, essa menina atrevida...

 não sei mais que fazer com essa garota danada...

ahhh, meu Deus... sabe como é né  mamãe?

- Sei...

 

 



Escrito por Ghys às 14h15
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Silêncio

 

 

O que escorre na pele, brota do coração...

A secreção da razão, está além de olhar, sentir e tocar...

O primeiro movimento é sempre de dentro,

É sempre no silêncio que reverbera...

E depois a gente enquadra

O que é livre de toda forma e cor e som

E prega na parede do pensamento.

E aí já era... o raio de sol que se perdeu

e começa a lutar pra ser luz...

 

 

 

 



Escrito por Ghys às 13h42
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Onde meu coração

 

 

Meu coração vivo não quer dormir,

quer prosseguir pulsando...

Quer cantar qualquer amor, flor,

Qualquer canção de vida...

Aquela antiga luz no fim do túnel,

Quem toque a mão com a alma,

E singre o olhar com doçura...

Tenho um medo, um único medo,

Após ter superado muitos

Dos medos de minha vida;

Tenho este único medo 

De estranhar a emoção de viver,

Mas sinto que onde não possa estar meu coração,

então lá não devo estar eu...

 

 



Escrito por Ghys às 01h00
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As máscaras

 

 

Ao acordar, preguiçosíssima, Ceci me contou a História das Máscaras:

- Olha só mãe: era um coelhinho.  Ele primeiro colocou uma máscara de borboleta... uma menina disse: nem me vem pra cá com essa máscara de borboleta... depois, o coelhinho colocou uma máscara fedida, outra menina disse: nem me vem com essa máscara fedida... então o coelhinho escolheu uma máscara de panda, uma outra menina disse: nem me vem com essa máscara de panda pra cá... então o coelhinho botou a máscara de coelhinho mesmo... aí as meninas todas adoraram: -  agora sim, a máscara certa... Diante de tantas máscaras, perguntei, curiosa: - E porque o coelhinho tem que botar máscaras? Ceci, sabiamente, respondeu-me: - É por causa do baile das máscaras, todo dia, todo dia, mamãe... ora...

 

 



Escrito por Ghys às 07h19
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Levezas de asas

 

 

Borboletas me invadem

Pelas janelas,

Trazendo cheiros, sorrisos,

Levezas de asas...

 

 



Escrito por Ghys às 16h20
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Me inundam de amores

 

 

Palavras, meninas: ordem na casa!

Que é isso de saírem assim pulando

Desgovernadamente?

Tenho teses, planos e relatórios tantos...

Me deixem, garotas...

Vão cantar noutros dedos, outros peitos,

outras tardes, mulheres vãs...

Vão, vão, que amanhã

Quero ver como pagam minhas contas,

...

Nem confiança... até pra brigar

Me inundam de amores...

 

 



Escrito por Ghys às 15h43
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Belo e encanto

 

 

 

É assim que acontece entre eles: tem um halo que é belo e encanto, que escapa do vaso feito por um inglês pra uma indiana, ou o contrário, não sei bem, e entra nas caixinhas de doces e peças de costura... e preenche toda a casa com amores de antigamente... e tudo brilha e até o ar...

 

 



Escrito por Ghys às 15h31
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As flores

 

 

 

Arrumei as flores,

n'água já fria...

pra incensar

com cheiro de verdade

a nossa vida...

 

 

 

 



Escrito por Ghys às 15h23
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Por uma fresta

 

 

A vida, se é máquina de moer,

Também pode ser suave por uma fresta.

E é nesta janela aberta,

Que se deve viver...

 

 

 

 



Escrito por Ghys às 13h02
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Vou ser

 

 

 

Vou entrar pra televisão.

Ser a mocinha, a vilã, não...

Vou ser a florista na praça central da cidade,

Ou a moça do balcão da padaria, ou quem sabe,

A atendente da Casa da Irmandade.

Posso, também, me candidatar

A estagiária no Círculo dos Escritores

E cantarei o amor de Maria das Dores...

Quero sair de todo lugar,

Viajar pra Madagascar, um paraíso qualquer

Dentro de mim, Shangrilá...

Nadar pra nascente do rio Guamá,

Onde é lindo, lindo, ainda menino!

E dali sair a voar...

E um dia me pendurar no sino

De onde o mundo escutará

O alarde da tarde que breve virá...

 

 

 

 



Escrito por Ghys às 12h40
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Vem logo, mãe

 

 

Ceci reuniu várias saudades numa noite só:

- Mãe, tô com saudade do teu calorzinho...

 - Ô meu amor, a mamãe já vai te fazer dormir abraçadinha tá? ...

 - Ah, mãe, tô com saudade da Tita... e também do Jipe, da Maeta Dida,

do Tiquinho e até do Dininho e do Luli... ah mãe... e também tô com saudade

daquele beija-flor da árvore grande lá do jardim...

não aquele que canta assim: tenc, tenc, tenc, tenc

e nem o que canta assim, lumi, lumi, lumi, lumi...

tô com saudade daquele que canta assim:

streeenc, streeenc, streeenc, streeeenc...

- Ah, mãe, vem logo dormir comigo, tá?

 

 



Escrito por Ghys às 20h11
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A-go-ra!

 

 

Ceci foi muito clara:

- Mãe, precisamos conversar, e sério...

- Diga meu amor...  (o ofício... a conta de luz...

o exame na semana que vem...)

- Mãe, me olha, mãe!

- Claro, filha... estou olhando... (a mensalidade, o imposto de renda...)

- Mãe! Pensa em mim... tu não tá me vendo, não...

- Desculpa, filha, tô cansada, tem tanta coisa pra dar conta...

- Mãe, tô com saudade de ti... me dá um abraço

e vamos tomar um sorvete lá na esquina, a-go-ra!

 

 

 



Escrito por Ghys às 10h01
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Pra te encantar

 

 

Tá lá: no balcão da cozinha

com a sala de estar

Deixei as rosas,

rosinhas meninas,

e a estrela-do-mar

Pra te encantar...

 

 



Escrito por Ghys às 09h44
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Breve e para sempre

 

 

 

Por precisão, sina ou quebranto,

Ela é do tipo que crê no amor.

Tem fé que virá e já não tarda. 

Sente saudade, não sabe de onde,

Como um imã sem lugar.

E serão juntos por tanto tempo,

Que além do tempo, futuro ou passado...

E toda sua vida será essa flor,

Reencontrada, desabrochando...

O seu grande amor,

Que virá, breve.

Breve e para sempre...

 

 



Escrito por Ghys às 11h12
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Sina

 

 

 

Sina de geminiana:

Um dia furacão, no mesmo dia senhorita

Agora maria-fumaça, minuto seguinte, margarida

Habitam em mim todas as mulheres, feito Coralina

A mãe, a menina, a velha, a mulher da vida, a dama do dia

E todas passeiam na praça, na floricultura, na feira, na padaria

E são alegres, teimosas, vivas, tristes e lindas

Na palavra minha

...

 

 



Escrito por Ghys às 16h26
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Sol

 

 

 

Sol

que ilumina

o mundo,

que aquece

e dá a Vida,

levanta minha fé

em tudo o que busco,

ergo minha mão

e encontro tua luz

no centro

do meu ser.

 

Oração que me deu minha mãe,

 a Cabocla Jurema.

 

 



Escrito por Ghys às 16h09
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Tudo é a vida

 

 

Há uma textura da vida fina e delicada

Asa de borboleta, pétala de flor

A vida há que ser cuidada

Protegida no amor

É preciso vivê-la

Sagrada e divina.

Tudo é a vida...

 



Escrito por Ghys às 07h40
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Certo amor

 

 

 

 

Senhor querido,

Nesta tarde,

Ao cumprimentar-me,

Em frente à casa de flores,

Notei em seu olhar certa alegria,

Senti em seus lábios um calor,

Aquecendo-me as mãos,

Incendiando-me o coração...

Notei que ao entregar-me

As Gerberas,

Minhas preferidas,

Havia em seu peito

Certo amor,

Iluminando-me

A solidão

...

 



Escrito por Ghys às 20h34
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Nem tente

 

 

 

nem queira,

nem tente

decifrar

minha palavra

que mente

porque

a palavra

mente

por vocação

convicção

crença

semente

nunca

consegui

dizer

plenamente

o que sente

em mim

viver

...

vá você

tentar a vida

sem a mentira

da palavra

...

 

 



Escrito por Ghys às 15h06
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A Vida

 

 

 

Nada disso...

Olha aí a vida vibrando,

Nada em tons de rosa pálido...

A vida não tem cor... é a síntese contracor...

É o trocado pro pão da tarde,

A corrida na chuva fina e

O abandono na tempestade

O prazer da água na cara

O suor cortante do sol do meio dia

A febre da madrugada

O amor puramente entorpecido

A vida é essa fuga constante da vida

Que a gente enche de poesia

Pra ficar mais digestiva

Cada um de nós precisa ser

Um dia, ao menos um dia,

O anti-herói do óbvio

Que salta, ululante,

Na cara da vida...

 

 



Escrito por Ghys às 14h45
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As baratas

 

 

 

Ceci me perguntou:

- Mãe, porque as baratas morrem com as mãos no coração?

Acho que é porque elas sentem calor... ou então o coração treme...

Sabia que uma barata é que dá a vida à outra?

a vida da que morreu, vai pra outra que tá nascendo..

acho que na terra tem mais baratas que pessoas...

as baratas são incríveis e nós não gostamos muito delas...

Refletiu Ceci, profundamente...

 

 



Escrito por Ghys às 13h49
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Redes

 

 

 

 

Não me cabem mais

Couraças.

Há, pelo menos,

Uma gota de amor

Em cada coração.

E é por isso que me revelo,

Desvelo coisas em mim,

Pra tocar o que há por dentro

Pra chegar ao amor interno

Na gota capaz de encher um copo,

Um oceano e toda a minha vida de novo.

Desenrolei meus novelos coloridos

Pra tecer redes de ternura e

Afagar corações

Aparentemente

Endurecidos.

 

 



Escrito por Ghys às 23h29
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Lição

 

 

Eu sou Luz...

(E esse poço de carências,

De querências,

Aberto aqui.

Que todos vêem, lêem,

Mas ninguém toca.

Até quando aprender

A lição do nada querer.)

 

 



Escrito por Ghys às 15h03
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Ela

 

 

 

Cada frase, cada mera gentileza, um novo sorriso,

tudo pesa irreal. Ela não sabe por onde recomeçar...

há sempre uma coisa que falta...

Inveja o moço do correio que todo dia passa:

ele não sofre, vive.

Ela pensa demais. Sente demais.

E a cidade voltou a ficar grande.

E aquela garotinha sentada na calçada

do lado de lá, enquanto a cidade alucinada,

iluminada se move e não a vê.

Ela tem medo de se perder de novo,

de se perder dela mesma na vida louca da cidade.

 

 

 



Escrito por Ghys às 14h52
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No oceano do teu abraço

 

 

 

Queria teu braço pra me ninar

Teus dedos de pétalas a me tocar

Deixar-me estar no teu corpo

Dormir no oceano do teu abraço

E amanhã acordar...

 



Escrito por Ghys às 22h06
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Amorluz

 

 

 

Ceci me disse:

- mãe, eu te amo bem do fundo do meu coração...

 mais do que do fundo...

 lá, no fundo do fundo do coração tem um buraquinho...

pois é... o meu amor sai desse buraquinho,

sai pela janela, voa pelas nuvens, e vai lá no universo,

depois na lua e depois no sol.. e ilumina tudo aqui na nossa terra...

e o meu amor ilumina muito nós duas...

 

 



Escrito por Ghys às 21h54
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Ser somente

 

 

 

 

 

Já carreguei bandeira, levantei voz, levantei dedo, caminhei nas ruas de saião vermelho... defendi direitos, olhei em olho de homem, desafiadoramente... e sei dos números, dos dados, das dores, dos desencantos... Mas quero cantar a alegria, a liberdade e uma crença em ser somente, homem ou mulher, diferentes, mas sobretudo, ser, somente... quero cantar o encontro possível, o amor que entrega e eleva, estar juntos, criar os filhos, dar as mãos e caminhar...



Escrito por Ghys às 10h30
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Mulher amor

 

 

 

Mulher é do campo do amor

Que mesmo do avesso

É ainda amor

Mulher não perde a ternura

Mulher não disputa

Cresce e constrói a ponte sagrada

Entre útero e coração

E se move com as marés

E se ilumina no sol

E se altera com as luas

E mesmo se chora e sofre

É no amor que se alimenta

E reconstrói e se refaz

Sempre Mulher

Amor

...

 

 



Escrito por Ghys às 22h10
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Brincadeira de soltar

 

 

 

 

 

É só deixar-se amar,

Entregar-se ao vento

E voar...

Ser feliz é quase simples

É brincadeira de soltar...

 

 



Escrito por Ghys às 21h52
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Ilumina tudo aqui

 

 

 

Amanheceu bonito em Belém,

Dia branco, neblina rara,

Amanheceu bonito em mim...

E agora o sol claro,

O dia claro

Ilumina tudo aqui...

 



Escrito por Ghys às 07h42
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Não teve janela aberta, poeta

 

 

 

Hoje não consegui

Ganhar a rua,

Andar, amar...

Mal deu pra sorrir.

Hoje choveu demais.

Por muitas horas,

Horas seguidas,

Fiquei afogada,

Por muito tempo,

Em certo terreno,

Em certo tormento,

Calado, batido, interno...

Hoje fui linha reta, poeta,

Linha escondida,

Pra depois de amanhã,

Não teve janela aberta...

 

 



Escrito por Ghys às 19h55
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Onde a âncora de que preciso?

 

 

 

 

Nem palavra, nem pessoa...

Queria um sorriso,

Alegria...

Queria o ar, que já não devo,

Voar, voar, e já não posso,

É de pés no chão que necessito,

Mas onde a âncora que me salvará?

 

 



Escrito por Ghys às 17h39
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Quebrou de novo

 

 

 

Quebrou de novo...

Tava tudo certinho:

Hora de acordar,

Comer e dormir.

Rotina e ordem,

Regras firmes,

Estabilidade.

Quebrei os pratos...

Quebrou aqui,

Dentro de mim.

O que é que não bate?

O que é que insiste

Em não se ajustar,

Em ficar no ar?

 



Escrito por Ghys às 16h27
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Devo ir-me, sem demora

 

 

 

Devo ir-me, sem demora, embora

Da casa da solidão que me habita,

Dessa tristeza sem consolo,

Sem motivo, a visitar-me

E tão minha íntima ainda...

Agora tudo me é estranho,

Sem sentido e sem silêncio

Nem alegria, nem sei mais

Devo retirar-me agora

Pra lugar qualquer lugar qualquer

Enquanto ainda escuto os pássaros

E busco no céu qualquer mansidão

Que ilumine o quarto fechado em mim...

 

 

 



Escrito por Ghys às 15h58
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Em puro amor

 

 

 

 

 

 

Senhor, meu amado,

 Hoje escolhi o traje princesa,

amarrotado,

pra encontrá-lo junto ao rosal

a inundar meu cansaço de eras,

e o cheiro de mofo desse vestido.

Estou aqui entre as flores,

raminho antigo,

desde quando te fostes,

desde quando te vi,

pela última vez.

 Com a leveza de um anjo,

vou voar a te encontrar...

 Desta que lhe aguarda,

em puro amor...

 

 

 

 



Escrito por Ghys às 21h36
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Passou

 

 

 

Relaxa amigo,

Faz mês e meio que passou,

Não lembro mais as marcas do teu corpo,

Aquela carta foi só um jeito de soltar,

Libertar o sentimento, o encantamento...

Relaxa, amigo, passou...

O gosto do teu beijo, minha língua já esqueceu,

Já se apagaram os traços do teu rosto,

Fica em paz, calma,

Não precisa ter medo de me encontrar,

Não mexe mais, segue caminho,

E vai atrás de outra história,

Confusa, perdida,

Foi bom e já foi...

Passou...

 

 

 



Escrito por Ghys às 21h16
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As mãos serão reencontradas

 

 

Click to view full size image

 

Em mim, há sempre um canto para os ancestrais, os de antigamente, os esquecidos da roda da vida... há irmãos em toda a parte e em todo o tempo, com os quais me sentaria perto da raiz de uma árvore calada, onde não a palavra, mas o olhar que parte do coração, diria da crença e da lida...  são irmãos de aqui e de acolá, são Tembés, são de Chiapas... são irmãos de tanto amor, na distância, no sonho, na lembrança... e, sobretudo, na certeza, na profunda certeza de um dia, que já não tarda, em que as mãos serão reencontradas...

 



Escrito por Ghys às 23h29
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A assinatura

 

 

 

Ceci está muito chateada... seus peitos demoram demais a crescer, mamãe não deixa passar batom vermelho e ainda por cima a professora a proibiu de escrever a assinatura na prova... ela me contou que se esforçou tanto, mas tanto para encontrar sua assinatura mais bonita, fez mil desenhos, letras e formas, até que conseguiu aquela com a florzinha no final, e depois treinou tanto, mas tanto, pra escrever assim rápido, como gente grande faz... como raio desenhando seu rabisco no céu... mas a professora mandou apagar e botar o nome... ahhhh... o nome... tá bom, o nome é lindo... mas a assinatura é muito mais, não tem igual, é super, super... até brilhava... Ceci voltou pra casa amuada, mau humorada, brigando com os deuses, e ainda bem que tinha gelatina pra sobremesa e era uma mistura de abacaxi, tuti-fruti e morango, que segundo Ceci, deu em chocolate... - Ah, mamãe, amanhã vamos misturar goiaba, tuti-fruti e limão? Com certeza, vai dar abacaxi... - propôs-me Ceci... – eu entendo tudo de gelatinas... - esclareceu-me... e voltou a treinar a assinatura de florzinha no final... agora com o tal batom vermelho e tudo...

 

 



Escrito por Ghys às 14h04
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Nós, tão felizes

 

 

 

Não sei...

Não quero dizer nada,

Não há palavra para mim hoje.

Só um desejo de olhar...

Um não ser aquele quê

E de ser somente... ser.

A comida posta à mesa,

As camas já arrumadas,

A chuva que êêê... já vem...

Logo mais a consulta marcada

E nós que somos tão felizes...

Tão despudoradamente felizes,

Tão absurdamente felizes,

O mundo, com nossos olhos

Vivendo à toda virada...

 



Escrito por Ghys às 13h00
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Amadas

 

 

 

Amor da vida, flor menina, minha filha e sua fala firme.

Vida de amor, aprendizado, minha mãe, suas prontas mãos.

Irradia luzes, raras flores, mais que mãe e mais esperanças.

Semente em flor, brinca de tudo, dorme no peito, seus olhos claros.

Irmã trazida, caminho certo, redescoberta, seus traços fortes.

Mexeu no útero, é mais que irmã, firme doçura e casou-se bem.

Doma as dores, noites insones, palavras belas, e é tanta vida.

Doma energias, arranca tocos, cabelo solto, faz suas curas.

Dá seus colos, palavras sábias, arrumadeira, brilho no olhar.

Vê a alma, fala com a alma, cura na alma, vive além.

Sorriso aberto, comadre de fé, segue lutando, dá sempre a mão.

Pura força, acredita muito, peito aberto e transpira fé.

Mudou pra sempre, amiga de sempre, crê na vida e é feliz.

Todas Juremas, Marianas, Josefinas e Iracemas.

Mulheres belas, minhas amigas, amores da minha vida,

que teimam, amam, cuidam, bailam, engravidam e reencontram.

E assim o amor se desdobra, faz-se vivo e vivifica...

Assim o amor é simples, floresce e marca em mim alegrias...

 

 

 



Escrito por Ghys às 10h47
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Tua mão imprime na minha

 

 

... tua mão

imprime

na minha

a rota,

a trilha,

a jornada...

 

 



Escrito por Ghys às 00h06
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