Amores Meus, Vida Minha


A vida longínqua, real

Havia os risos das meninas. Era só o que me pareceria real pouco depois daquele instante. A chuva em gotas finas não passava, o tempo estático, aquela mudez em tudo. O dia branco acinzentado. Não estava triste, exatamente. Estava distante de mim. Ausente, quase neutra. Uma nesga por onde escapava uma espécie de líquido imaginário, incolor. Realidade partida é a minha vida, para sempre sem sentido, nem começo nem fim, nem explicação possível. Em linhas retas e pontilhadas, cada parte se move em passo combinado, com cuidado. Trincar é fácil.

Eu vejo os aros coloridos, as luzes da noite brilhando, a escuridão negada, meus olhos acostumados, e isso que chamam vida, esse lancinante silêncio.

Dorme este lado do planeta. Dorme a vizinha e seu gato atiçado, dorme a criança o único sono verdadeiro: abandonado. Dorme a árvore grande do jardim e toda a enorme vida que nela habita. Eu nunca mais dormi. É como um século de olhos abertos.  Um cansaço já esquecido, incorporado, dobrado em mim. Não há mais nada a dizer, nada, nada, até a última gota sempre inexplicada. E depois tudo de novo. Isso não tem fim.

Mantenho-me em salto elétrico, conduz-me esse fio invisível. E quase imperceptível, só os risos das meninas, as meninas longínquas, reais.

 




Escrito por Ghys às 14h45
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Dá-me um sinal

 

Senhor dá-me esperanças...

Avança a galera que me levará.

Dá-me um sinal da tua vinda breve

E alimenta-me da tua lembrança.

Já não sei mais onde dirijo o olhar.

Já chega o barco, ele me arrastará...

Aguardo aqui, neste porto, sozinha,

Por teu amor, meu coração ferve.

 

Uma réstia, uma fresta qualquer

Uma seta que me guie o rumo

Senhor, murcha meu peito

Em ausência e silêncio,

E permaneço sozinha no escuro.

 

 

 



Escrito por Ghys às 14h32
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