Nublar

Hoje aqui
amanheceu nublado,
sereno, frio, silêncio.
Apenas
o canto dos pássaros
e os risos de Cecília
encantam
a manhã
singela.
A bela
manhã...
Céu branco de nuvens paradas.
A sensação longínqua do azul por detrás...
(Nublado, nublar... E só agora percebi a beleza desta palavra...)
Vontade de sair sem rumo,
por aí,
andar a esmo,
sentar em qualquer lugar
e esquecer o tempo, passando...
O tempo nem passa quando amanhece assim...
O tempo para, tudo para.
Só o canto dos pássaros e os risos de Cecília
são o movimento da vida...
Até o vento
que faz dançar os galhos das árvores
parece incorporado ao instante eterno,
ao agora, que é o infinito.
E aos poucos os raios de sol, poderosamente,
aquecem as nuvens, perfuram caminhos, iluminam...
O vendedor de limões passa gritando... as vizinhas acordam a encomendar o cuzcuz e a tapioca, com manteiga ou coco seco, na casa ao lado... vem o vendedor de pamonhas, de vassouras e o de pães...
O vento se acalma, outros cantos e risos se movimentam e o tempo volta a passar...
(mas aquele instante transformado,
Eterno e branco, dura
para sempre,
Dentro de mim...)
Escrito por Ghys às 09h39
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