No caminho

Serras, morros e cachoeiras... densa terra, a casa marcada, as árvores cortadas, o massacre... Barracos miseráveis cobertos de palha e lona, pobreza, ausência... Capim e não árvores... Gado de corte, devastação, cheiro de morte, cheiro de sangue, morte e fogo... Queimadas que colam na pele uma tristeza milenar... Índios humilhados, náufragos do sistema, nordestinos, sulistas Que buscam, buscam, buscam... Trágico “desenvolvimento” que retira, destrói, isola, Expulsa, mata, desmata, humilha, despreza... Passou setembro e não choveu. No meu jardim plantei belas flores. E no quintal, sobreviveu a imponente mangueira, A terna goiabeira e a valente laranjeira que teima em renascer. Há pessoas queridas, novos amigos, há sempre os poetas e os músicos, Ilhas de afeto... Em mim, gratidão, fé e força.
Escrito por Ghys às 22h00
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Saudade

Hoje senti saudade, coisa que aboli não por querer, mas como caminho de continuar... saudade me mataria se tivesse aqui, comeria meu coração, secava meus olhos se ainda morasse dentro de mim... mas hoje saudade me visitou... sorrateira, olhos astutos, chegou sem avisar, botou cadeira na varanda, sentou e desatou a lembrar o que ficou velho, amarelado pelo tempo... daí saiu em palavras... e aquietou... foi só um aceno e um sorriso...
Escrito por Ghys às 00h06
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