As máscaras

Ao acordar, preguiçosíssima, Ceci me contou a História das Máscaras:
- Olha só mãe: era um coelhinho. Ele primeiro colocou uma máscara de borboleta... uma menina disse: nem me vem pra cá com essa máscara de borboleta... depois, o coelhinho colocou uma máscara fedida, outra menina disse: nem me vem com essa máscara fedida... então o coelhinho escolheu uma máscara de panda, uma outra menina disse: nem me vem com essa máscara de panda pra cá... então o coelhinho botou a máscara de coelhinho mesmo... aí as meninas todas adoraram: - agora sim, a máscara certa... Diante de tantas máscaras, perguntei, curiosa: - E porque o coelhinho tem que botar máscaras? Ceci, sabiamente, respondeu-me: - É por causa do baile das máscaras, todo dia, todo dia, mamãe... ora...
Escrito por Ghys às 07h19
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Levezas de asas

Borboletas me invadem
Pelas janelas,
Trazendo cheiros, sorrisos,
Levezas de asas...
Escrito por Ghys às 16h20
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Me inundam de amores

Palavras, meninas: ordem na casa!
Que é isso de saírem assim pulando
Desgovernadamente?
Tenho teses, planos e relatórios tantos...
Me deixem, garotas...
Vão cantar noutros dedos, outros peitos,
outras tardes, mulheres vãs...
Vão, vão, que amanhã
Quero ver como pagam minhas contas,
...
Nem confiança... até pra brigar
Me inundam de amores...
Escrito por Ghys às 15h43
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Belo e encanto

É assim que acontece entre eles: tem um halo que é belo e encanto, que escapa do vaso feito por um inglês pra uma indiana, ou o contrário, não sei bem, e entra nas caixinhas de doces e peças de costura... e preenche toda a casa com amores de antigamente... e tudo brilha e até o ar...
Escrito por Ghys às 15h31
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As flores
Arrumei as flores,
n'água já fria...
pra incensar
com cheiro de verdade
a nossa vida...
Escrito por Ghys às 15h23
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Por uma fresta

A vida, se é máquina de moer,
Também pode ser suave por uma fresta.
E é nesta janela aberta,
Que se deve viver...
Escrito por Ghys às 13h02
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Vou ser

Vou entrar pra televisão.
Ser a mocinha, a vilã, não...
Vou ser a florista na praça central da cidade,
Ou a moça do balcão da padaria, ou quem sabe,
A atendente da Casa da Irmandade.
Posso, também, me candidatar
A estagiária no Círculo dos Escritores
E cantarei o amor de Maria das Dores...
Quero sair de todo lugar,
Viajar pra Madagascar, um paraíso qualquer
Dentro de mim, Shangrilá...
Nadar pra nascente do rio Guamá,
Onde é lindo, lindo, ainda menino!
E dali sair a voar...
E um dia me pendurar no sino
De onde o mundo escutará
O alarde da tarde que breve virá...
Escrito por Ghys às 12h40
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Vem logo, mãe

Ceci reuniu várias saudades numa noite só:
- Mãe, tô com saudade do teu calorzinho...
- Ô meu amor, a mamãe já vai te fazer dormir abraçadinha tá? ...
- Ah, mãe, tô com saudade da Tita... e também do Jipe, da Maeta Dida,
do Tiquinho e até do Dininho e do Luli... ah mãe... e também tô com saudade
daquele beija-flor da árvore grande lá do jardim...
não aquele que canta assim: tenc, tenc, tenc, tenc
e nem o que canta assim, lumi, lumi, lumi, lumi...
tô com saudade daquele que canta assim:
streeenc, streeenc, streeenc, streeeenc...
- Ah, mãe, vem logo dormir comigo, tá?
Escrito por Ghys às 20h11
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A-go-ra!

Ceci foi muito clara:
- Mãe, precisamos conversar, e sério...
- Diga meu amor... (o ofício... a conta de luz...
o exame na semana que vem...)
- Mãe, me olha, mãe!
- Claro, filha... estou olhando... (a mensalidade, o imposto de renda...)
- Mãe! Pensa em mim... tu não tá me vendo, não...
- Desculpa, filha, tô cansada, tem tanta coisa pra dar conta...
- Mãe, tô com saudade de ti... me dá um abraço
e vamos tomar um sorvete lá na esquina, a-go-ra!
Escrito por Ghys às 10h01
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Pra te encantar

Tá lá: no balcão da cozinha
com a sala de estar
Deixei as rosas,
rosinhas meninas,
e a estrela-do-mar
Pra te encantar...
Escrito por Ghys às 09h44
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Breve e para sempre

Por precisão, sina ou quebranto,
Ela é do tipo que crê no amor.
Tem fé que virá e já não tarda.
Sente saudade, não sabe de onde,
Como um imã sem lugar.
E serão juntos por tanto tempo,
Que além do tempo, futuro ou passado...
E toda sua vida será essa flor,
Reencontrada, desabrochando...
O seu grande amor,
Que virá, breve.
Breve e para sempre...
Escrito por Ghys às 11h12
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Sina

Sina de geminiana:
Um dia furacão, no mesmo dia senhorita
Agora maria-fumaça, minuto seguinte, margarida
Habitam em mim todas as mulheres, feito Coralina
A mãe, a menina, a velha, a mulher da vida, a dama do dia
E todas passeiam na praça, na floricultura, na feira, na padaria
E são alegres, teimosas, vivas, tristes e lindas
Na palavra minha
...
Escrito por Ghys às 16h26
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Sol

Sol
que ilumina
o mundo,
que aquece
e dá a Vida,
levanta minha fé
em tudo o que busco,
ergo minha mão
e encontro tua luz
no centro
do meu ser.
Oração que me deu minha mãe,
a Cabocla Jurema.
Escrito por Ghys às 16h09
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Tudo é a vida

Há uma textura da vida fina e delicada
Asa de borboleta, pétala de flor
A vida há que ser cuidada
Protegida no amor
É preciso vivê-la
Sagrada e divina.
Tudo é a vida...
Escrito por Ghys às 07h40
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Certo amor

Senhor querido,
Nesta tarde,
Ao cumprimentar-me,
Em frente à casa de flores,
Notei em seu olhar certa alegria,
Senti em seus lábios um calor,
Aquecendo-me as mãos,
Incendiando-me o coração...
Notei que ao entregar-me
As Gerberas,
Minhas preferidas,
Havia em seu peito
Certo amor,
Iluminando-me
A solidão
...
Escrito por Ghys às 20h34
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Nem tente

nem queira,
nem tente
decifrar
minha palavra
que mente
porque
a palavra
mente
por vocação
convicção
crença
semente
nunca
consegui
dizer
plenamente
o que sente
em mim
viver
...
vá você
tentar a vida
sem a mentira
da palavra
...
Escrito por Ghys às 15h06
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A Vida

Nada disso...
Olha aí a vida vibrando,
Nada em tons de rosa pálido...
A vida não tem cor... é a síntese contracor...
É o trocado pro pão da tarde,
A corrida na chuva fina e
O abandono na tempestade
O prazer da água na cara
O suor cortante do sol do meio dia
A febre da madrugada
O amor puramente entorpecido
A vida é essa fuga constante da vida
Que a gente enche de poesia
Pra ficar mais digestiva
Cada um de nós precisa ser
Um dia, ao menos um dia,
O anti-herói do óbvio
Que salta, ululante,
Na cara da vida...
Escrito por Ghys às 14h45
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As baratas

Ceci me perguntou:
- Mãe, porque as baratas morrem com as mãos no coração?
Acho que é porque elas sentem calor... ou então o coração treme...
Sabia que uma barata é que dá a vida à outra?
a vida da que morreu, vai pra outra que tá nascendo..
acho que na terra tem mais baratas que pessoas...
as baratas são incríveis e nós não gostamos muito delas...
Refletiu Ceci, profundamente...
Escrito por Ghys às 13h49
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Redes

Não me cabem mais
Couraças.
Há, pelo menos,
Uma gota de amor
Em cada coração.
E é por isso que me revelo,
Desvelo coisas em mim,
Pra tocar o que há por dentro
Pra chegar ao amor interno
Na gota capaz de encher um copo,
Um oceano e toda a minha vida de novo.
Desenrolei meus novelos coloridos
Pra tecer redes de ternura e
Afagar corações
Aparentemente
Endurecidos.
Escrito por Ghys às 23h29
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Lição

Eu sou Luz...
(E esse poço de carências,
De querências,
Aberto aqui.
Que todos vêem, lêem,
Mas ninguém toca.
Até quando aprender
A lição do nada querer.)
Escrito por Ghys às 15h03
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Ela

Cada frase, cada mera gentileza, um novo sorriso,
tudo pesa irreal. Ela não sabe por onde recomeçar...
há sempre uma coisa que falta...
Inveja o moço do correio que todo dia passa:
ele não sofre, vive.
Ela pensa demais. Sente demais.
E a cidade voltou a ficar grande.
E aquela garotinha sentada na calçada
do lado de lá, enquanto a cidade alucinada,
iluminada se move e não a vê.
Ela tem medo de se perder de novo,
de se perder dela mesma na vida louca da cidade.
Escrito por Ghys às 14h52
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No oceano do teu abraço

Queria teu braço pra me ninar
Teus dedos de pétalas a me tocar
Deixar-me estar no teu corpo
Dormir no oceano do teu abraço
E amanhã acordar...
Escrito por Ghys às 22h06
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Amorluz

Ceci me disse:
- mãe, eu te amo bem do fundo do meu coração...
mais do que do fundo...
lá, no fundo do fundo do coração tem um buraquinho...
pois é... o meu amor sai desse buraquinho,
sai pela janela, voa pelas nuvens, e vai lá no universo,
depois na lua e depois no sol.. e ilumina tudo aqui na nossa terra...
e o meu amor ilumina muito nós duas...
Escrito por Ghys às 21h54
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Ser somente

Já carreguei bandeira, levantei voz, levantei dedo, caminhei nas ruas de saião vermelho... defendi direitos, olhei em olho de homem, desafiadoramente... e sei dos números, dos dados, das dores, dos desencantos... Mas quero cantar a alegria, a liberdade e uma crença em ser somente, homem ou mulher, diferentes, mas sobretudo, ser, somente... quero cantar o encontro possível, o amor que entrega e eleva, estar juntos, criar os filhos, dar as mãos e caminhar...
Escrito por Ghys às 10h30
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Mulher amor

Mulher é do campo do amor
Que mesmo do avesso
É ainda amor
Mulher não perde a ternura
Mulher não disputa
Cresce e constrói a ponte sagrada
Entre útero e coração
E se move com as marés
E se ilumina no sol
E se altera com as luas
E mesmo se chora e sofre
É no amor que se alimenta
E reconstrói e se refaz
Sempre Mulher
Amor
...
Escrito por Ghys às 22h10
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Brincadeira de soltar

É só deixar-se amar,
Entregar-se ao vento
E voar...
Ser feliz é quase simples
É brincadeira de soltar...
Escrito por Ghys às 21h52
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Ilumina tudo aqui

Amanheceu bonito em Belém,
Dia branco, neblina rara,
Amanheceu bonito em mim...
E agora o sol claro,
O dia claro
Ilumina tudo aqui...
Escrito por Ghys às 07h42
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Não teve janela aberta, poeta

Hoje não consegui
Ganhar a rua,
Andar, amar...
Mal deu pra sorrir.
Hoje choveu demais.
Por muitas horas,
Horas seguidas,
Fiquei afogada,
Por muito tempo,
Em certo terreno,
Em certo tormento,
Calado, batido, interno...
Hoje fui linha reta, poeta,
Linha escondida,
Pra depois de amanhã,
Não teve janela aberta...
Escrito por Ghys às 19h55
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Onde a âncora de que preciso?

Nem palavra, nem pessoa...
Queria um sorriso,
Alegria...
Queria o ar, que já não devo,
Voar, voar, e já não posso,
É de pés no chão que necessito,
Mas onde a âncora que me salvará?
Escrito por Ghys às 17h39
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Quebrou de novo

Quebrou de novo...
Tava tudo certinho:
Hora de acordar,
Comer e dormir.
Rotina e ordem,
Regras firmes,
Estabilidade.
Quebrei os pratos...
Quebrou aqui,
Dentro de mim.
O que é que não bate?
O que é que insiste
Em não se ajustar,
Em ficar no ar?
Escrito por Ghys às 16h27
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Devo ir-me, sem demora

Devo ir-me, sem demora, embora
Da casa da solidão que me habita,
Dessa tristeza sem consolo,
Sem motivo, a visitar-me
E tão minha íntima ainda...
Agora tudo me é estranho,
Sem sentido e sem silêncio
Nem alegria, nem sei mais
Devo retirar-me agora
Pra lugar qualquer lugar qualquer
Enquanto ainda escuto os pássaros
E busco no céu qualquer mansidão
Que ilumine o quarto fechado em mim...
Escrito por Ghys às 15h58
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