Amores Meus, Vida Minha


Em puro amor

 

 

 

 

 

 

Senhor, meu amado,

 Hoje escolhi o traje princesa,

amarrotado,

pra encontrá-lo junto ao rosal

a inundar meu cansaço de eras,

e o cheiro de mofo desse vestido.

Estou aqui entre as flores,

raminho antigo,

desde quando te fostes,

desde quando te vi,

pela última vez.

 Com a leveza de um anjo,

vou voar a te encontrar...

 Desta que lhe aguarda,

em puro amor...

 

 

 

 



Escrito por Ghys às 21h36
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Passou

 

 

 

Relaxa amigo,

Faz mês e meio que passou,

Não lembro mais as marcas do teu corpo,

Aquela carta foi só um jeito de soltar,

Libertar o sentimento, o encantamento...

Relaxa, amigo, passou...

O gosto do teu beijo, minha língua já esqueceu,

Já se apagaram os traços do teu rosto,

Fica em paz, calma,

Não precisa ter medo de me encontrar,

Não mexe mais, segue caminho,

E vai atrás de outra história,

Confusa, perdida,

Foi bom e já foi...

Passou...

 

 

 



Escrito por Ghys às 21h16
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As mãos serão reencontradas

 

 

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Em mim, há sempre um canto para os ancestrais, os de antigamente, os esquecidos da roda da vida... há irmãos em toda a parte e em todo o tempo, com os quais me sentaria perto da raiz de uma árvore calada, onde não a palavra, mas o olhar que parte do coração, diria da crença e da lida...  são irmãos de aqui e de acolá, são Tembés, são de Chiapas... são irmãos de tanto amor, na distância, no sonho, na lembrança... e, sobretudo, na certeza, na profunda certeza de um dia, que já não tarda, em que as mãos serão reencontradas...

 



Escrito por Ghys às 23h29
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A assinatura

 

 

 

Ceci está muito chateada... seus peitos demoram demais a crescer, mamãe não deixa passar batom vermelho e ainda por cima a professora a proibiu de escrever a assinatura na prova... ela me contou que se esforçou tanto, mas tanto para encontrar sua assinatura mais bonita, fez mil desenhos, letras e formas, até que conseguiu aquela com a florzinha no final, e depois treinou tanto, mas tanto, pra escrever assim rápido, como gente grande faz... como raio desenhando seu rabisco no céu... mas a professora mandou apagar e botar o nome... ahhhh... o nome... tá bom, o nome é lindo... mas a assinatura é muito mais, não tem igual, é super, super... até brilhava... Ceci voltou pra casa amuada, mau humorada, brigando com os deuses, e ainda bem que tinha gelatina pra sobremesa e era uma mistura de abacaxi, tuti-fruti e morango, que segundo Ceci, deu em chocolate... - Ah, mamãe, amanhã vamos misturar goiaba, tuti-fruti e limão? Com certeza, vai dar abacaxi... - propôs-me Ceci... – eu entendo tudo de gelatinas... - esclareceu-me... e voltou a treinar a assinatura de florzinha no final... agora com o tal batom vermelho e tudo...

 

 



Escrito por Ghys às 14h04
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Nós, tão felizes

 

 

 

Não sei...

Não quero dizer nada,

Não há palavra para mim hoje.

Só um desejo de olhar...

Um não ser aquele quê

E de ser somente... ser.

A comida posta à mesa,

As camas já arrumadas,

A chuva que êêê... já vem...

Logo mais a consulta marcada

E nós que somos tão felizes...

Tão despudoradamente felizes,

Tão absurdamente felizes,

O mundo, com nossos olhos

Vivendo à toda virada...

 



Escrito por Ghys às 13h00
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Amadas

 

 

 

Amor da vida, flor menina, minha filha e sua fala firme.

Vida de amor, aprendizado, minha mãe, suas prontas mãos.

Irradia luzes, raras flores, mais que mãe e mais esperanças.

Semente em flor, brinca de tudo, dorme no peito, seus olhos claros.

Irmã trazida, caminho certo, redescoberta, seus traços fortes.

Mexeu no útero, é mais que irmã, firme doçura e casou-se bem.

Doma as dores, noites insones, palavras belas, e é tanta vida.

Doma energias, arranca tocos, cabelo solto, faz suas curas.

Dá seus colos, palavras sábias, arrumadeira, brilho no olhar.

Vê a alma, fala com a alma, cura na alma, vive além.

Sorriso aberto, comadre de fé, segue lutando, dá sempre a mão.

Pura força, acredita muito, peito aberto e transpira fé.

Mudou pra sempre, amiga de sempre, crê na vida e é feliz.

Todas Juremas, Marianas, Josefinas e Iracemas.

Mulheres belas, minhas amigas, amores da minha vida,

que teimam, amam, cuidam, bailam, engravidam e reencontram.

E assim o amor se desdobra, faz-se vivo e vivifica...

Assim o amor é simples, floresce e marca em mim alegrias...

 

 

 



Escrito por Ghys às 10h47
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Tua mão imprime na minha

 

 

... tua mão

imprime

na minha

a rota,

a trilha,

a jornada...

 

 



Escrito por Ghys às 00h06
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Escorre em mim

 

 

 

 

 

... do que escorre em mim delicadezas entrega e clarão iluminâncias gota de sol faço calor noite no frio carinhamios a solidão gota de amorandar descalça fé de pisar onde o orvalho vai me levar melevará melavará livrar-me vai de tudo o que escorre em mim é só amor...

 

 

 



Escrito por Ghys às 22h22
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Das cordas de vossa viola

 

 

Amanheceram as rosas brancas

na varanda de meu quarto...

Senhor querido, que as enviastes,

Não ouvi vosso cântico na noite,

Apenas alguns acordes...

Presumo, portanto,

Que as rosas vieram bailando, delicadamente,

Se desprendendo das cordas de vossa viola

E pousaram desarrumadas assim para mim

Que, com meu sorriso,

As depositei no vaso de cristal invisível

colocado no criado mudo

Enfeitado com o bordado que fiz para vós...

 

 



Escrito por Ghys às 07h47
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Passeio das nuvens

 

 

Ceci me contou que passeou com uma nuvem...

Foi assim: era uma tarde de sol

e ela estava brincando de fada

no sofá na frente da janela grande

quando passou uma nuvenzinha fantasiada de camelo...

ela pensou que ainda era coisa do carnaval

e a nuvenzinha não queria parar de festejar...

riu e deu tchau e a nuvenzinha piscou o olhinho e veio baixando,

baixando até chegar bem pertinho dela e disse:- vem!

Então ela ficou muito alegre e subiu nas montanhazinhas da costa da nuvem-camelo...

Ceci me disse que tudo é muito lindo lá de cima...

Melhor que viajar de avião, porque do avião se vê as nuvens,

mas das nuvens se vê tudo: igarapés brilhando, árvores balançando,

carrinhos e casinhas miudinhos, tudo vira de brinquedo...

e nem vai sumindo depois... fica lá embaixo se mexendo, remexendo...

E ela tava bem olhando tudo e comentando quando, de repente, plum!

A nuvenzinha já era uma baleia... bebê, conforme me contou Ceci,

porque a baleiazinha se botou a falar  besteirinhas,

mas tantas besteirinhas, assim como só bebê faz mesmo...

Ainda bem que chegou pertinho a mãezona baleia,

pegou a bebê pelas asinhas de peixe e foi guiando o caminho

e as duas começaram a cantar umas músicas tão lindas

que Ceci nunca tinha escutado... e quando viu já era fundo do mar...

tudo cheio de cor, dança de tantos peixes,

umas plantas muito diferentes, compridas, rebolando todo tempo...

nessa hora, duas sereiazinhas vieram brincar com ela,

no rabo da baleiazinha que, de repente,

plum! Virou um dinossauro... bonzinho, com um sorriso bobo na cara...

- era um dinossaurinho, mamãe... tranqüilizou-me Ceci...

e disse que ele foi crescendo, crescendo, crescendo

e ela sentada na costa do bichão tão imenso,

que o mar ficou miúdo lá embaixo...

E ela começou a ver as árvores por cima: os ninhos de passarinhos,

os caminhos das borboletas, o trabalho das abelhas,

o brilho do sol nas folhas e o barulhinho do vento moleque...

E foi quando a mamãe dinossauro chamou pra fazer o dever de casa...

E ela disse pra ele, que ficou muito estressado,

que com ela era a mesma coisa: sempre na melhor parte,

a mamãe chamava pra fazer o dever de casa,

com aquela conversa de primeiro o dever depois a brincadeira...

E concordaram que as mamães não entendem nada mesmo dessa vida...

Ceci me disse que, pra terminar aquela história,

marcaram de se encontrar de novo de noite...

- qual será a fantasia dela no nosso sonho, mamãe??? Perguntou-me Ceci...

 



Escrito por Ghys às 07h40
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As palavras

 

 

As palavras vão brotando dos meus poros...

De cada um, vejo sair uma

Elas se combinam

Eu não sei de nada

Elas se arrumam

Se desordenam

E eu fico só deixando

As danadas acontecerem...

 



Escrito por Ghys às 07h27
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O tempo presente

 

 

 

 

 

Nada há que cantar senão o vento

O olhar de minha filha

Para a festa em meu coração

As folhas balançando e a chuva fina

E o carinho de minha mãe

E a calma de meu pai

Nada há que me recupere

Para o tempo em que aprendi

A acreditar

Em tudo, em qualquer coisa

No mero olhar

No sorriso e na pureza

Nada há como o tempo presente

Que me salve do que foi e do que será...

 

 



Escrito por Ghys às 21h45
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Velhos amigos

 

 

 

Alegria de reencontrar amigos

Gente querida que tem canto

Com mobília e tudo no meu coração

Ou área aberta, varanda

Pra luz do sol e vento fazer festa

Alegria de balão colorido

Brincando solto no ar

Sorriso e abraço bom

Antigos amigos, renovados

Ah, “os anos criam distância”...

É mesmo Poeta,

Mas num segundo de olhar de amigo

Todo o tempo vira anteontem

Como se há um minuto atrás

Naquela mesa, aquela conversa

Aquele riso junto

Ou aquele choro abraçado

Estivessem vivos, inflamados

Ainda pulsando nas veias

Dos bons e velhos amigos...

 



Escrito por Ghys às 21h15
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Arranca-me

 

 

 

 

 

Joga de novo o salva-vidas

Puxa-me...

Arranca-me...

Do centro do que sou

Onde me afundo

E de onde fujo

Um abraço, um abraço...

 

 



Escrito por Ghys às 15h49
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Alegria em mim

 

 

 

Alegria em mim há de ser minha guia

Liberdade, asa de borboleta

Meu caminho, o vento

O Amor pra toda vida

Todo Amor, feito lei

Pulsa em cada poro

Em todo ser

Me dá o braço, o abraço

Carinho e a mão...

 



Escrito por Ghys às 12h15
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Acalma-me

 

 

Acalma-me,

com teu beijo,

nestes dias

em que me perco.

 



Escrito por Ghys às 15h19
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Ardência

 

 

 

“- Quem é você?

- Diga logo, que eu quero saber o seu nome...”

...

“ A estrela Dalva no céu desponta...”

...

“- Este ano não vai ser igual aquele que passou...”

...

Até que tiramos as máscaras

E sem fantasias tocamos as mãos

E a colombina e o pierrot

Ficaram no canto do quarto

Espalhados, com ardência,

Desejando a festa das carnes...

 



Escrito por Ghys às 09h04
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Reencontro...

 

 

 

 

 

 

Brilho no olhar que não engana...

Coração bateu de novo na direção do meu aberto,

Pulando no peito, saliente, desordenado,

Meu Deus do céu, olhos que brilham,

Sorriso mensageiro das notícias silenciosas,

Das saudades dos tempos tantos,

Da distância, que não levou

O sentimento, o carinho antigo,

Entre irmão e amor sonhado,

Podado, perdido e resgatado...

Mais que carinho, a paixão contida

Que agora quem sabe,

Reencontra a minha

E me incendeia na claridade

De um amor possível...

Qualquer amor, que amor

Sempre houve e sempre haverá,

Qualquer que seja,

O verbo entre nós foi,

é, e sempre será amar...

 

 



Escrito por Ghys às 14h00
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Muita água...

 

 

 

 

 

 

Foi água! Mas muita água! Saímos das Docas já sob frágeis gotinhas que sequer pra molhar davam...

E eis que a água foi se avolumando, a chuva engrossando seus pingos, céu branco, ar virando água... era carro bailando pra todo lado... e a chuva aumentando... e em cinco minutos a rua virou rio... e o vento brincava com as gotas, desenhando pequenos redemoinhos no ar...

E o rio rua saiu levando tudo o que encontrava e até nossos olhares fascinados de dentro da farmácia: a moça grávida ao meu lado e seu pai, sorridente e falante; a promotora bem maquiada; o balconista tranqüilo; a senhora elegante, mais uma dezena de pessoas protegidas da chuva e a gerente do estabelecimento muito preocupada com o vaso de plantas da calçada que virava canoa entre os carros que viravam barcos... era um vaso grande, com belas samambaias e a essa altura a água já levara toda a terra e a raiz sem firmeza, já começava a se soltar... podíamos ver dentro do fiat vermelho, as duas crianças rindo, brincando de barquinho, a mãe preocupada e o pai conformado; dentro do gol cinza metálico, a moça loira nervosa; dentro do xsara preto, imponente, o senhor irritadíssimo; e andando por entre os carros, uns quantos apressados de sapatos nas mãos, pisando com cuidado para evitar os bueiros abertos... éramos personagens anônimos, domados, ilhados pelos rios da chuva portentosa que dominava a tarde de Belém...

Passaram-se cerca de 50 minutos, as gotas ficaram miúdas novamente, o rio foi baixando, mostrando a rua de novo, os carros foram encostando e entre a alegria desconcertante das crianças, os adultos começaram a medir os estragos e os custos pra desentupir a descarga, lavar e secar os bancos... e lá pelas tantas alguém lembrava que, distraidamente, esquecera a janela do quarto aberta... o outro deixara o cachorro no quintal... ai, meus deuses, meus orixás, que a mãe água quando vem de purificar, lava e leva o que há...

O vaso foi encontrado na outra esquina, no canto da Alcindo Cacela e a planta ainda estava lá, agarrada por um fio teimoso de raiz... e eu, segui pra minha consulta, certa de ainda ver muito acontecimento de carros e gentes que não tinham outro assunto, senão aquela chuva, como se por aqui isso fosse alguma novidade...

 

 

 

 



Escrito por Ghys às 09h17
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Alegria e fé

 

 

 

Quero cantar só a Vida

Peito Aberto

Alegria

E essa certeza de que quando tudo passar

Será a Vida a floresta, a casa, a guarita

A Vida Eterna

Imperecível

Una e Verdadeira.

 



Escrito por Ghys às 22h08
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Depois

 

 

Rua de brincar, correr, saltar,

andar de bicicleta, jogar bola, peteca,

Empinar pipa, bandeirinha e pega-pega,

criança de ser feliz.

Mas como fica a vida depois

da dor daquele menino?

Como ficam os meninos e meninas

E as tantas tragédias cotidianas,

que não se estampam nos jornais?

E a dor de quem matou,

que mesmo sem brilho nos olhos,

ele também foi criança, sem infância, sem amor,

sem nada e agora mata, vingança da vida que nunca teve...

Algum alívio é possível, além do tempo,

Que nunca levará a dor do que passou?

 



Escrito por Ghys às 06h34
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D. Iraci

 

 

 

 

 

Hoje soube que a mulher mais linda do Maranhão morreu. Mesmo com a fé cega na vida eterna, chorei a saudade, o tempo, a distância e tudo o que não vivemos juntas... Nossas conversas duravam séculos de lembranças, risos e desejos inconfessáveis... Foi com ela que vi o tempo se eternizando naquele fogão encantado, onde verdadeiros milagres dos deuses eram forjados pelas mãos e pelo coração daquela mulher de olhos doces e molhados... Tinha uma mão incomparável para a cozinha, a minha amiga. Jamais existirá alguém capaz daquela sintonia fina nos temperos, aquele ponto certo em tudo... a perfeição manifestada desde o vatapá e a rosca de tapioca, até o arroz pregado,que jamais houve igual. O mesmo talento tinha para as perguntas: precisas, cuidadosas e inegociáveis... olhar sagaz, sensibilidade madura... foi minha melhor mãe naquelas terras... Agora, as lembranças daquela casa, do quintalzinho e da pia lateral onde ela todo dia lavava suas chinelinhas de dedo... do mercado onde escolhia com sabedoria ímpar as melhores frutas e os ingredientes de seu vatapá insuperável... do seu jeito de andar a passos curtos, sem ser notada... daquela última viagem que não fiz com ela... Ai, se pudesse adivinhar, teria ido a São Luís e teria trazido minha amiga aqui... Agora ela se foi, sem ver a Cecília e sem que nos víssemos uma última vez... Não estivemos juntas por tanto tempo quanto eu desejava... E agora é essa saudade de poço sem fundo, rasgada no peito pra sempre, sem cura... mas é assim mesmo, e como se diz: a vida continua por aqui, minha querida... e a senhora, em outro plano, seja feliz e esteja bem... e sem teimosia, viu, que agora não tem mais cigarro e nem gelada, viu... E agora lembro que senti uma saudade mais viva da gente de São Luís durante aquele abril...

(escrito em outubro de 2006)

 

 



Escrito por Ghys às 17h05
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O Amor...

 

 

 

Contigo eu salto meu amor

Me lanço, abraçada a ti

No vôo das nossas asas juntas

Amor querido...

E fico para sempre

No aconchego do teu peito

Onde meu mundo recomeça e nunca tem fim...

 

 



Escrito por Ghys às 11h34
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TPM

 

 

 

Mulher, naqueles dias

Antes, durante e depois,

Solta fogo

Rios de lágrimas

Furacões de dentro e fora

Atrás na frente

Em cima e embaixo...

Mas, eu, depois que descobri

Um jeito fino

De amansar as palavras

Acalmei os dragões

De dentro da tensão

Do rio vermelho

Me disse minha mana Vera:

“Podias escrever uma coisinha assim:

tpm sempre me enlouqueceu

e agora se gruda nos meus dedos

a contar histórias

e a vida vai se contando

de pedacinho em pedacinho

de tpm em tpm...”

Boa Vera... tá aí, mana...

 



Escrito por Ghys às 08h31
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Cuida homem, cuida

 

 

 

 

 

Cuida, que a onda lá vem...

E vai levar o amor

que te desenhei na areia

E ainda mais que as rosas

vão ficar boiando

Perdidas sem rumo certo

no meu coração

Cuida, homem, que lá vem...

 

 



Escrito por Ghys às 08h07
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Complô das palavras

 

 

 

 

 

Ceci me contou:

As palavras são feitas de algodão,

e são bem sonsas, se fazem de boazinhas...

Chegam perto sorrindo, calminhas,

só pra gente acreditar... Mas, cuidado!

Quando tocam na pessoa, sufocam

e sugam todo o ar que a gente respira...

Vão inchando, inchando, inchando

e depois explodem uma gosma fedorenta

na pessoa já morta!

Apertam bem a garganta e puxam o ar,

as proteínas e as vitaminas todas pelos poros...

E ainda me disse mais:

Que não foi Deus quem criou as palavras,

mas uma grande palavra mãe,

que já existia antes de tudo, falsa que só ela...

(Ah... fora aquelas palavras de outros planetas

que a gente ainda não conhece,

essas sim, que cantam e dançam,

são as boas, mas elas estão chegando

pra vencer as nossas más palavras...)

Me contou tudo deste verdadeiro complô

das palavras contra a humanidade...

E enquanto isso, a tarefa de português

foi ficando pro dia seguinte...

 

 



Escrito por Ghys às 07h48
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Amor de verdade

 

 

 

 

 

 

Amor de verdade que pulsa

Depois do tempo passado

Encontro dos antigos sonhos

Agora reinventados

Não mais as teias de se perder

Os labirintos de se arrancar

Mas a superfície serena do lago

Onde fundo a vida se agita

Em infinito crescer...

 

 



Escrito por Ghys às 07h32
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Voar, voar

 

 

 

 

Passou o fogo, minha mãe,

Minha vida toda nele,

Enquanto varro o jardim da frente

E entrevejo o cavaleiro amoroso

Que vem me arrastar para sempre

Me levar de vassoura encantada

Pro reino de amor eterno

Pra bordar fios de ouro

Nas fronhas de nossa cama

E plantar flores do campo

Na mesa de estar na sala

Rogo-vos, senhor mais lindo,

Que me venha, já sem demora,

Com seus olhos firmes de luzes

Incendiar meu sorriso.

Quero voar, voar,

Com a mão na vossa mão...

 

 



Escrito por Ghys às 07h03
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Simplesmente feliz

 

 

 

Pronto, passou de novo...

Voltaram-me o sono leve e o sorriso suave...

Os presentes recuperaram seu tamanho real,

As lembranças já ganharam as perfumadas gavetas,

E as palavras encontraram novos acordes...

Tudo o que me toca o coração é puro e bom mel...

Me alimenta e depois passa, cura calmamente...

Até a próxima enchente...

E então sou simplesmente feliz...

E escrevo... e rio...

 



Escrito por Ghys às 23h48
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Luz suficiente

 

 

 

 

Havia sempre uma vontade de dizer

qualquer coisa que fosse mais que o momento,

que iluminasse o momento,

que justificasse estar ali...

Até que descobri, num dia qualquer,

sem ter nem por que, descobri

que o momento tem sempre luz suficiente,

e que é dele que brotam no coração,

as palavras iluminadas.

Por isso, escrever é uma forma de me dar,

 de iluminar no amor a minha vida,

de ofertar amor e luz ao mundo,

mesmo que jamais seja lida.

 



Escrito por Ghys às 12h14
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Amar, amar

 

 

 

 

"...O segredo não é correr atrás das borboletas,

é cuidar do jardim para que elas venham até você..."

Mário Quintana

 

 

Vou ganhar a rua, amado poeta,

Sem nada procurar...

Andar, andar...

Ser borboleta...

Visitar flores,

Bailar nas folhas...

Morar no ar...

Me alimentar de seiva...

Amar, amar...

 

 

 



Escrito por Ghys às 11h30
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Valha-me

 

 

 

 

 

 

 

Valha-me meu Pai,

Que isso aqui tá

que nem meu coração...

Cheio de acessos,

me tranço nos caminhos...

Labirintos...

Ê, perdição, meu Deus...

 

 

 



Escrito por Ghys às 18h41
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Ê, mãe...

 

 

 

 

 

 

 

 

Ê, que a preta, reza boa e amor doce...

cuiazinha benzedeira, minha mãe

que me valha pra vida toda, mãe...

Ê, que a gira requebra e sai pitando no ar seus ouros,

suas saias, seus ventos de bem olhado...

Ê, que me guie os caminhos, mãe...

Ê, que minha mãe das matas, cabocla de pena,

que me cruza os corpos, que serena...

Ê, que me protege a sina, minha mãe...

Ê, que é força divina, mães do mundo,

mães da vida, que amam sem dar as contas... Ê, mãe...

 

 

 



Escrito por Ghys às 22h28
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A virada que aguarda

 

 

 

 

 

 

Nem sempre há canção em meus ouvidos...

Nem sempre canta o meu coração...

Molha a chuva a minha alma...

Leva a tristeza, lava a solidão...

Silêncio que me habita, fundo...

Traz a paz, calmaria,

Brisa suave, onde embalo

A virada que aguarda...

 

 

 



Escrito por Ghys às 22h15
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Coração aberto

 

 

Manhã nasceu de novo em mim...

Coração aberto... crença de tudo ser...

 

 



Escrito por Ghys às 07h01
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